domingo, 20 de julho de 2014

O RASTRO DE MINHAS ASAS

Abraço o vento que enchuga o charco de minhas pesadas asas
a leveza me convida a voar mas a gravidade me impede, tudo é grave na minha imperfeição.

As vezes sou como o ameno sol de primavera, outras vezes como longas e constantes chuvas de inverno
as vezes a sensibilidade me conquista outro dia a apatia me domina, a cada dia é um espanto
na segunda feira eu sei quem sou e na sexta eu não me reconheço.

Se sou pássaro e não sei voar o que adianta ter asas com os pés presos no chão 
e como pássaro que não voa sujo minhas asas de lama, e minhas asas como um arado 
sinuoso deixam rastros de sonhos registrados no solo fértil de meu pensamento.

E tudo vai sendo carregado para o passado, passo por muitos que não me veem
são cegos pelo caminho, pisando em flores reclamam o amor, muito ocupados estão
para cultivar um jardim, a busca pela satisfação arrancou-lhes os olhos, tenho medo de ficar assim.

Sem lamurio sigo o meu incerto caminho calado sem nada a reclamar, aprendendo a me suportar  um dia de cada vez.

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