segunda-feira, 21 de julho de 2014

a note e o medo

Tragado, subjugado pela noite, sinto o forte açoite da metamorfose do dia,
o sol escondia a nua e crua melancolia.
Esparramados em sujas calçadas vejo sonhos e vidas, almas destruídas
drogas e bebidas, doença sem cura um porto inseguro em um mar de loucura.

O vento assobia uma fria sinfonia, folhas e poeira bailam em perfeita sintonia
fragmentos de humanos que outrora tinham vida, com um cachimbo ao lado
lambem suas próprias feridas, e a lua testemunha chora ás escondidas.

Saí pela noite procurando inspiração só encontrei retalhos, pedaços de
vidas no chão, fui embora sem saber o que escrever, a realidade
da noite fez minha alma escurecer, na cidade de meus versos
que me encanta em poesias, a noite é um universo de tristeza
e agonia, peço para deus pois só ele é onipotente que estenda
suas mãos e proteja essa gente.

domingo, 20 de julho de 2014

O RASTRO DE MINHAS ASAS

Abraço o vento que enchuga o charco de minhas pesadas asas
a leveza me convida a voar mas a gravidade me impede, tudo é grave na minha imperfeição.

As vezes sou como o ameno sol de primavera, outras vezes como longas e constantes chuvas de inverno
as vezes a sensibilidade me conquista outro dia a apatia me domina, a cada dia é um espanto
na segunda feira eu sei quem sou e na sexta eu não me reconheço.

Se sou pássaro e não sei voar o que adianta ter asas com os pés presos no chão 
e como pássaro que não voa sujo minhas asas de lama, e minhas asas como um arado 
sinuoso deixam rastros de sonhos registrados no solo fértil de meu pensamento.

E tudo vai sendo carregado para o passado, passo por muitos que não me veem
são cegos pelo caminho, pisando em flores reclamam o amor, muito ocupados estão
para cultivar um jardim, a busca pela satisfação arrancou-lhes os olhos, tenho medo de ficar assim.

Sem lamurio sigo o meu incerto caminho calado sem nada a reclamar, aprendendo a me suportar  um dia de cada vez.

BIOGRAFIA

Dia primeiro de fevereiro de 1973, o dia em que acordei para este mundo ,numa cidadezinha  do interior do Rio Grande do Sul, chamada Carazinho, o que mais me deixa frustrado, é não lembrar nada do dia mais importante da minha vida, sei que era um bairro chamado hípica, pois praticavam hipismo ali, deveria ter muitos cavalos eu acredito.
Nasci em casa, assim que nasci meu pai me apresentou para a lua que na ocasião estava cheia, era madrugada, pois na minha precipitação não esperei o dia raiar, penso que a lua e eu fizemos tipo uma espécie de sociedade, pois sempre a visito e me escondo La, constantemente.
Cresci contemplando a pobreza, e pra variar crianças nasciam por atacado na vila, sempre preferi ficar só, e não gostava muito das brincadeiras habituais das crianças, não era poucas as vezes que os professores da escola perguntavam por que eu era tão quieto, diziam que eu era tímido, estavam enganados eu era analítico, introspectivo , analisando situações, pessoas, lugares, sentimentos, conhecia mais os com quem eu convivia, do que eles mesmos as vezes.
Fui crescendo e aprimorando meu, particular mundinho,  aos nove anos de idade, viemos morar em Novo Hamburgo, cidade que adotei como minha, amo essa cidade, lia tudo que tinha pela frente, chegando ao cumulo de decorar códigos de barras, de frascos de xampus e condicionadores no banheiro de casa, o banheiro era um espécie de refugio das conversas atravessadas e confusas, de pessoas falando ao mesmo tempo, pois éramos em sete pessoas em casa, então vogais e consoantes, se colidiam umas nas outras, formando frases indecifráveis, as quais eu não conseguia entender.
Servi minha pátria amada, como voluntario, só nas primeiras semanas, depois a realidade, riu na minha cara, e pensei ser a maior burrada que tinha feito,não era mais voluntario a nada, agora já era tarde demais, mas naturalmente me adaptei e acabei gostando, quase senti saudade quando sai,  só quase.
Comecei a ter cedo, queda por poesias, poemas, versos, frases, pensamentos musica, tudo que for ligado a arte me atrai muito, hoje escrever,  pra mim é como respirar, é essencial, tenho necessidade disso, ainda me isolo, causando muitas vezes frustração e tristezas em pessoas que amo, mas é primordial pra mim, é sozinho, La no jardim da lua que me encontro em paz e me completo, é La que as palavras submergem de minha essência.  É  na solidão que encontro a mim mesmo, então sentamos e conversamos.